8 de julho de 2015

Solta a língua, Matheus!

Depois de 5 anos de trabalho, o blog UMO se despede da parceria com a Biruta e a Gaivota, deixando uma história de troca de experiências e muitas viagens literárias.

Para fechar com chave de ouro, o Matheus Rocha saiu Soltando a Língua sobre o livro As lágrimas de Shiva. Confira!

Quando concluí a leitura de A Ilha de Bowen, do mesmo autor, fiquei querendo ler tudo o que ele já tivesse publicado. Gostei tanto da forma de Mallorquí de contar sua história e fiquei tão encantado com seus personagens que imaginei que seus outros livros fossem tão bons quanto. Estava certo? Sim e muito. Já adianto que A Ilha de Bowen ainda é meu favorito do autor, mas não posso negar que todas as personagens encontradas em As Lágrimas de Shiva são incríveis e muito bem construídas. O livro ainda tem uma história bastante instigante e um desfecho que me fez sorrir durante vários minutos.

Estamos em Madrid durante o final da década de 60. Javier é um garoto de 15 anos que terá que passar uns tempos na casa dos tios em Santender, um cidade litorânea na Espanha, por conta de seu pai estar severamente doente. Mesmo chateado com este fato, já que este gostaria de ficar junto de seu irmão mais velho, Alberto na casa de um outro tio, ele aceita no final das contas por saber que as palavras de sua mãe bastarão e se prepara para reencontrar Tia Adela e Tio Luís, além de suas quatro primas com nomes de flores: Rosa, de 18 anos; Margarida, de 17; Violeta, de 15 e Açucena, de 12 anos. Rumo à Villa Candelaria, Javier leva diversos títulos de ficção científica para se distrair e espera poder acompanhar a chegada do homem à Lua pela televisão.

Ao chegar em seu destino, depois de uma longa viagem de trem, nosso protagonista conhece um pouco mais da família Obrégon e seus membros. Tia Adela gosta de bordar e cuida da casa junto de Ramona, a criada; já Tio Luís fica trancado praticamente o dia todo no sótão, pois é inventor e fica criando diversas coisas; Rosa, sua prima mais velha, quer estudar Arquitetura e gosta de desenhar; Margarida é uma revolucionária e crítica ao franquismo instaurado no país; Violeta acha a literatura que Javier gosta muito fútil e por ter a mesma idade que ele implica muito com o primo; por fim Açucena é a mais quieta de todas, vive observando tudo o que acontece ao seu redor, mas entra muda e sai calada.

Margarida guia Javier pela casa dos Obrégon, quando este chega, até chegar à biblioteca onde quadros com membros antepassados da família estão pendurados por entre as estantes. Um deles chama a atenção de Javier, já que sua mãe havia lhe citado uma membra desertora da família chamada Beatriz Obrégon. Ao indagar sobre esta à Margarida, ela o alerta para não comentar com o restante da família já que Beatriz fizera algo terrível no passado que manchou o nome dos Obrégon. Mesmo assim, mais tarde Javier quer saber mais sobre Beatriz e é Violeta, que cria certa empatia apesar da antipatia por ele, quem revela a história da moça.

Tudo isso porque Javier sente o perfume dos nardos. Um perfume misterioso e que só ele e Violeta sentem. Para Violeta é uma teoria de conspiração que indica que o fantasma de Beatriz quer se redimir, já que o que restou dos Obrégon acredita que ela fora uma ladra e furgira com as Lágrimas de Shiva, um colar importantíssimo oferecido por um Mendonza, a família do noivo forçado de Beatriz, para seu casamento. Cabe agora então a Javier e Violeta descobrirem o que este suposto fantasma quer dizer e de certa forma limpar o nome da fugitiva.

Ao longo das quase 200 páginas, embarcamos por uma história envolvente e instigante com muito mistério, descobertas a cada capítulo e situações engraçadas. Não pude deixar de ficar com uma vontade gigantesca de ler vários dos livros citados por Violeta e Javier no decorrer da história, já que estes começam a emprestar livros de seus gostos um pro outro. O Apanhador no Campo de Centeio e As Crônicas Marcianas figuram nas trocas e geram ótimas discussões entre as personagens. Açucena foi a personagem que mais me deixou incomodado, já que ela não se comunicava e vivia observando a todos como se estivesse traumatizada com algo. E a história de Rosa e Gabriel remete à Romeu e Julieta pelas famílias rivais e tem um desfecho bacana. O autor tem uma escrita fluida e ágil, ficamos ávidos pelas novidades que iremos encontrar e, embora algumas coisas possam ter acontecido rápidas demais, a leitura do livro proporciona um ótimo entretenimento.

Como dito no começo da resenha, o desfecho traz um sorrisinho escondido junto das últimas palavras. Confesso que de certa forma é um desfecho carregado de tristeza, mas a felicidade de saber que uma alma pode descansar em paz depois de tanto tempo vale a pena. Um ótimo livro para amantes dos mistérios e de histórias que carregam injustiças por conta da ignorância e ganância de terceiros.

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Uma resposta para “Solta a língua, Matheus!”

  1. Fêh Zenatto disse:

    As Lágrimas de Shiva é muito bom mesmo.
    Identifiquei demais os sentimentos que senti enquanto lia o livro com os descritos na resenha e fiquei curiosa também para ler Crônicas Marcianas e O Apanhador no Campo de Centeio!

    Adorei a resenha, Matheus!

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