19 de janeiro de 2015

Jairo Canova solta a língua!

O Jairo é nosso Parceiro desde 2014 e já se aventurou por muitas leituras birutas. Por isso, o convidamos para contar um pouco sobre sua experiência literária e que importância os nossos livros tiveram nesse processo. Ele soltou a língua…

“Antes de terminar de escrever essa primeira linha já me sinto velho, e ainda não tenho 30 anos.

NA MINHA ÉPOCA (acabei de ficar 5 anos mais velho com essa) não havia livros adequados para a faixa etária dos 10 aos 16 anos. Tínhamos os livros infantis, coloridos, com letras enormes, que a professora lia em voz alta. E os livros adultos, clássicos massivos ou literatura contemporânea incompreensível, frequentemente influenciada pelos movimentos comunistas, anarquistas e separatistas. No meio da década de 90, com o mercado se recuperando dos tempos da ditadura, as crianças e os jovens não eram a prioridade da maioria das editoras, que ainda não tinham reconhecido o potencial desse público.

Alice no país das maravilhas, Peter Pan e Monteiro Lobato até estavam a disposição nas bibliotecas, mas tinham sobre si o peso das décadas que se acumulavam desde sua publicação. Disputados a tapa uns poucos exemplares da série Os Karas, já desgastados e alquebrados, não eram o suficiente. A temática, já desatualizada, tinha claros objetivos educacionais, era desestimulante: nessa ironia, o interesse em ler era por prazer, para descansar, para imitar os adultos, não para aprender. Aprender era o processo maçante da sala de aula, completamente diferente dos vislumbres fantásticos da literatura que só alguns poucos livros podiam nos dar. Nessa idade, livro bom é aquele que ensina sem que o leitor perceba, em que a narrativa atinge um ponto sensível no cérebro e continua cutucando até que a mente se dobre sobre aquela ideia e a acolha como parte de si.

Só fui conhecer os livros das editoras Biruta e Gaivota depois de adulto, mas queria ter lido As lágrimas de Shiva quando tinha 12 anos. Fuja, coelhinho, fuja aos 13. Cordeluna aos 14. Teria poupado horas de frustração tentando compreender Frankenstein, depois que os livros infantis não serviam mais, tantas outras dormindo sobre um exemplar da Eneida, intocado até hoje. Fica para a próxima geração.

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4 respostas para “Jairo Canova solta a língua!”

  1. Fêh Zenatto disse:

    Nossa, me identifiquei demais!
    A série OS Karas foi um grande marco para a minha pré-adolescência, eu amo até hoje a série do Pedro Bandeira.
    E também cansei de lutar para compreender livos como O Nome da Rosa sem sucesso naquela época.
    Quando li As Lágrimas de Shiva, terminei com esse mesmo sentimento ‘como queria ter lido esse livro alguns anos atrás’!
    Incrível o poder que os livros da Biruta têm nas suas páginas para fazer apaixonar!

    Blog Coisa e tal
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  2. […] “Livro bom é aquele que ensina sem que o leitor perceba, em que a narrativa atinge um ponto sensível no cérebro e continua cutucando até que a mente se dobre sobre aquela ideia e a acolha como parte de si.” Confiram no link. […]

  3. Fernanda disse:

    Hei Jairo!
    Adorei seu texto, e depois de ler sua resenha de “Cordeluna” no IL pensei: Porque nunca ouvi falar desse livro antes? Ele traz uma história maravilhosa!
    Ah se tivesse conhecido os livros da Editora Biruta quando era mais nova…rs :)

    Parabéns pela parceria com a editora e fico feliz que faça parte da equipe do Imaginação Literária. ^-^

    Beijos,
    Fernanda.

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