19 de fevereiro de 2015

Papeando com o Jacaré Bilé

Depois de um feriadão de Carnaval, o Bilé acordou de pança cheia e muito bem humorado. Aproveitamos o momento para papear, descobrir algumas curiosidades sobre sua vida lá no açude e tentar desvendar o mistério que a Alessandra Roscoe contou lá no livro O Jacaré Bilé.

Olha só que papo biruta!

Estou me achando o maioral com essa fama toda. Aqui no açude tem bicho de orelha em pé porque o entrevistado sou eu, logo o Bilé! Aqui vão as respostas às suas perguntas. Acho que mereço umas tapiocas extras, hein!

Bilé, você nunca se importou em ser chamado assim? Ou você gosta do apelido?
Não, eu até gosto do apelido. Eu só não gostava de viver bilé, perdendo tudo o que acontecia durante o dia no açude!

Falando nisso, qual é seu verdadeiro nome?
Eu acho até que Bilé já virou meu nome, pelo menos aqui no açude, mas meu nome mesmo é Jacaré! Cientificamente falando, tenho um nome muito do chique, ou como diriam por aqui, arretado! Meu nome científico é: Caiman crocodilus yacare (Daudin, 1802) – Caiman é um termo espanhol para jacaré ou qualquer crocodiliano; crocodilus quer dizer “um crocodilo” e vem do Latim, já o termo yacare refere-se a jacaré ou yacaré e é de origem indígena! Viu que importante? Este nome é usado para o Jacaré-do-Pantanal e pra outras espécies. Eu, mesmo tendo nascido no sertão deste Ceará, também ganhei esse nome importante aí de batismo. Chique, né?

Há quanto tempo você sofria de insônia, por causa do seu problema com a lua?
Bom de insônia eu sofria desde que me entendo por bicho. Mas dessa tal lua aí que você fala, eu não sei não. Eu não dormia porque tinha muita fome e, mais que fome, muita vontade de comer a tapioca gigante que algum desavisado esqueceu pendurada no céu!

Já ouviu dizer que o homem conheceu de pertinho a lua? Se você pudesse, gostaria de visitá-la pessoalmente?
Já vi que você é cabeça-dura como o meu amigo coelho. Bom, como eu aprendi, certas coisas a gente não discute. Você quer chamar de lua, pode chamar, pra mim continua sendo tapioca. Quer dizer que a sua espécie já visitou a tapioca do céu? Nossa! Eu adoraria, o perigo era eu querer morar lá pra sempre! Será que tem açude por lá?

Além de tapioca, o que mais você gosta de comer?
Devo dizer que sou um jacaré diferente, eu até como uns peixinhos, mas gosto mesmo é de tapioca, baião de dois, rapadura, queijo coalho e bolo de rolo, conhece? Aqui no nordeste o que não falta é comida boa! Cada fruta! Eu gosto de tudo que é daqui!

Com o que você sonhava quando dormia durante o dia?
Com a minha tapioca mágica, é claro!

Conta pra gente: qual é o nome do seu amigo, o coelho, que te ajudou a solucionar o problema com a lua?
Bom o nome dele é Coelho, mas desde pequeno ele é metido com ciência e com arte e a mãe dele pra homenagear um dos nossos grandes artistas daqui, deu a ele um nome de batismo de J. Ele tem nome e sobrenome, é o J. pros mais íntimos, mas chama-se José Francisco Borges. Igualzinho ao J. Borges, xilogravurista e cordelista dos mais respeitados. Ele é Pernambucano, mas a mãe dele (do Coelho), muito viajada, conheceu a obra e o artista quando esperava o J., e aí não deu outra, batizou o filho pra homenagear mesmo o artista! Aqui todo mundo tem história, viu?!

o jacaré bilé_coelho

Além dele, com quem mais você convive lá no açude?
Você nem imagina, convivo com capivaras, antas, lontras, peixes, aves, com muita coisa bacana e gente legal! Eu perdia, quando passava os dias dormindo, cada coisa! Tem feira na beira do rio, festa de pescadores e o lindo canto de trabalho das lavadeiras, os cocos, os repentes, tanta festa! Agora eu vivo tudo isso e de pança cheia, pois o Coelho meu amigo me revelou um grande segredo de família que me garante refeição saborosa todas as noites e sono tranquilo sempre. Infelizmente, o segredo eu não posso revelar.

o jacaré bilé_bichos

Qual é a parte mais legal de ser um Jacaré?

Ah, ser jacaré é tudo de bom! No Pantanal acho que é mais perigoso, tem gente da sua espécie que só pensa em maldade, que caça jacarés pra fazer bolsa, sapato, um absurdo, uma atrocidade, mas aqui pelas bandas deste meu açude, homens e bichos vivem em harmonia, meus antepassados aprenderam a falar com os índios, eu já estou até aprendendo a cantar repente, sabia?! Acho que melhor que ser jacaré é ser jacaré de história, de livro, eu adoro isso! Duvido que lá pelo Pantanal tenha algum parente meu que já tenha dado entrevista! Você já entrevistou algum?

Você foi nosso primeiro Jacaré convidado. Por isso é tão importante e especial nesse Papeando. Mas, vamos continuar que está quase acabando… Se você pudesse ser outro animal, qual seria?
Acho que qualquer um que voasse, pra chegar mais perto da minha tapioca!

E a melhor experiência da vida selvagem foi…
Descobrir nas águas do meu açude o tanto de tapioca mágica que elas guardam! Isso foi irado demais!

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2 respostas para “Papeando com o Jacaré Bilé”

  1. Anaires Carlos disse:

    Amo histórias e personagens. Sou.fã do Bilé, bjão pra tu jacaré.

  2. JPVeiga disse:

    Viva o Bilé! Esse Jacaré só dá alegrias!
    Bjks
    Sorte!
    JP

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