19 de março de 2015

Papeando com Maicon Tenfen

Esse autor é totalmente apaixonado por Literatura, e sua própria história de vida é uma prova disso. Nascido em 1975 em Ituporanga, interior de Santa Catarina, formou-se em Letras em 1998 e, entre 2000 e 2006, concluiu os cursos de mestrado e doutorado em Teoria Literária, na Universidade Federal de Santa Catarina.

Depois de publicar seu primeiro livro, em 1996, Maicon lançou duas dezenas de títulos, entre crônicas, contos, ensaios e romances e, por mais de dez anos, escreveu crônicas semanais para o Diário Catarinense. Também assinou uma coluna diária no Jornal de Santa Catarina, entre 2007 e 2011.

Hoje, atua como professor de Literatura Brasileira na FURB (Universidade Regional de Blumenau), ministra oficinas de redação criativa e já realizou mais de 400 palestras em escolas de ensino fundamental, médio e superior.

Agora que você já sabe um pouco sobre sua trajetória até chegar ao Quissama – O império dos capoeiras, que tal conversarmos sobre sua rotina, suas inspirações e seus companheiros de aventura?

Quem é Maicon Tenfen?
Um peregrino que teve a felicidade de encontrar uma elegante dama em seu caminho. O nome dela? Acertou quem disse “literatura”.

O melhor lugar para o surgimento de riscos e rabiscos é…?
Minha escrivaninha, junto à parede da pequena biblioteca que reuni ao longo dos anos.

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Quem é o melhor amigo criado por você?
Vitorino Quissama. Tenho certeza que ele sempre daria um jeito de me ajudar, não importa o quão difícil ou perigosa fosse a minha situação. Muita gente pensa que O Império dos Capoeiras é uma história sobre a liberdade. Deve ser também, não sei, mas acho que o verdadeiro tema do livro é a amizade que passa a existir entre dois indivíduos de mundos e condições absurdamente diferentes.

Uma viagem inesquecível seria nas páginas de qual livro?
Dos que ainda não li. Justamente por ter viajado tanto e tão bem até aqui, e sempre em boa companhia, vivo à procura de páginas que me surpreendam e me façam enxergar o mundo com um novo olhar.

Qual é seu companheiro favorito de aventuras (dentro ou fora do mundo literário)?
Minha família. Me acompanham em tudo o que faço, dão sugestões preciosas, torcem pelos meus personagens, compreendem meus momentos de ausência. Me acompanharam no Rio, quando viajei para fazer a pesquisa do Império dos Capoeiras. Se a palavra é aventura, tivemos um ótimo exemplo com a viagem.

Escrever um livro é…
… viver as mil e uma vidas que jamais viverei no chamado mundo real. Esse tal mundo real, aliás, apesar das fortes emoções que de vez em quando nos proporciona, costuma ser repetitivo e meio paradão. Num livro as coisas são diferentes. Tudo acontece ao mesmo tempo e da forma mais intensa possível. Se o leitor sente essa adrenalina, o que não dizer do escritor, o primeiro a sofrer na pele as alegrias e as tristezas das suas personagens?

Qual é a parte mais legal desse processo (desde o surgimento da ideia até a publicação)?
Todas as etapas são legais e apresentam desafios diferentes, mas eu gosto mesmo é de soltar o pensamento e deixar as ideias se amontoarem e se contradizerem na minha cabeça. O planejamento, primeiro passo dessa longa jornada que é publicar um livro, me parece ser o melhor dos momentos.

Se não fizesse reportagens ou inventasse mundos e personagens, o que você faria?
Seria agricultor como os meus pais.

Onde fica/o que você faz quando busca inspiração?
Na cozinha. Faço uma xícara de café bem quente e fico bebendo devagarinho. É quando resolvo quase tudo sobre a trama e as personagens. A grande verdade, entretanto, é que as ideias muitas vezes me pegam de surpresa, em qualquer hora e lugar. Dou um exemplo: quando comecei a escrever a história de Quissama, ainda não sabia quem era o assassino de Amâncio Tavares. Quando descobri, tomei um susto. Por pouco o personagem não consegue enganar o próprio autor…

A melhor página em branco é…
Aquela que está mais ou menos no meio do livro. Se ultrapassar a fronteira intermediária, tenho certeza que chegarei ao fim da empreitada.

 

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