15 de dezembro de 2014

Papeando com Larissa Ribeiro

Essa menina gosta bastante de viajar e estudar. Se formou em arquitetura pela FAUUSP, e tem especialização em ilustração infanto-juvenil pela Universidade Autônoma de Barcelona e pela Escola de la Dona, também em Barcelona. Estudou design gráfico na Universidade de Florença, na Itália, ilustração, tipografia, publicidade e fotografia na Saint Martin’s College of Art, em Londres.

Como designer, já trabalhou em algumas editoras e estúdio, além de colaborar com várias agências de publicidade e produção de conteúdo. Além disso tudo, também atuou como professora e ministrou workshops de ilustração na ONG Casa do Zezinho, em 2011.

Hoje, de volta ao Brasil, trabalha como ilustradora e designer independente. Ouvimos dizer que ela gosta bastante de histórias infantis, e a convidamos para papear um pouquinho aqui no blog.

Com vocês, a ilustradora viajante do livro O gigante do Maracanã:

O Gigante do Maracanã 2

Quem é a Larissa Ribeiro?

Uma pessoa que tem dificuldades pra se definir hahaha. Acho que escolhi ser ilustradora justamente pela infinidade de linguagens que permite que eu me reinvente e me apresente pro mundo de maneiras diferentes. Gosto de transitar entre muitas técnicas para conseguir expressar o que vai dentro de mim e entrar em contato até com as partes mais contraditórias. E também gosto de saber que posso mudar de ideia e mudar tudo no meio do caminho: com certeza é por isso que eu fico tão mais à vontade com colagens e acrílicos, que sempre têm conserto, do que com a aquarela, por exemplo.

O melhor lugar para o surgimento de riscos e rabiscos é…?

No meio do caos da minha mesa, que tem sempre o computador, estiletes, mil restos de papéis recortados e tintas, um trabalho vai se enganchando no outro aproveitando um resto da paleta de um, uma sobra de recorte do outro, e por aí vai.

Quem é o melhor amigo criado por você?

Recentemente ilustrei um livro usando alguns módulos geométricos que me permitiram criar as ilustrações mais variadas usando um número bem limitado de formas, e isso me deu muita alegria. Então acho que posso dizer que os melhores amigos criados por mim foram esses módulos geométricos! Eles são muito “ponta firme”! hahaha

Uma viagem inesquecível seria dentro de qual livro?

Eu adoro viajar dentro de qualquer tipo de livro, me dá uma brecha e eu me divirto entrando na lógica de cada mundo fantástico que é possível existir nesse formato sensacional de uma página depois da outra. Sou fascinada com as sensações táteis de certas ilustrações, aquelas que têm volume me chamam sempre muita atenção. Minha última viagem inesquecível foi pelo livro “Los sueños de Helena”, com texto do Eduardo Galeano e ilustrações do Isidro Ferrer. Estou apaixonada por esse livro!

Qual é seu companheiro favorito de aventuras (reais ou lúdicas)?

Meu companheiro mais companheiro é o Manolo, meu gato preto. Ele me viu passando um dia na rua e me adotou, resolveu vir pra minha casa! Desde então ele já aprendeu a pisar na tinta e deixar a casa toda marcada de patinhas coloridas, espalhar recortes e emaranhar os móveis todos com linhas de bordado, sempre tem uma novidade, ele é um grande artista conceitual hahaha

Desenhar é…

Uma terapia e uma ferramenta para conectar o mundo interior com o que está do lado de fora.
Qual é a parte mais legal desse processo (desde o surgimento da ideia até a conclusão do trabalho)?

Eu gosto muito de todas as fases do projeto. Amo fazer pesquisa, mas acho que a minha hora preferida é o momento em que eu resolvo que o trabalho está pronto, decido que não tenho mais que mexer em nada, me afasto, observo e penso: “nossa, não tinha nada antes, e agora tem isso”.

Se não inventasse mundos e personagens, o que você faria?

Certamente seria cozinheira ou cantora, algo que, assim como a ilustração, me permitisse trabalhar com muitas inspirações diferentes para poder me reinventar sempre. E acho lindo demais o ato de cozinhar, é como uma feitiçaria fantástica; combine os ingredientes certos e a mágica acontece. É isso, acho que eu seria uma cozinheira cantora hahah

Onde fica/o que você faz quando busca inspiração?

Eu sempre trabalho com muita pesquisa e estou sempre atrás de boas referências visuais, mas quando preciso de inspiração, sei que o melhor a fazer é mergulhar no silêncio e tentar limpar um pouco a mente. Eu vejo tanta imagem todos os dias, e isso pode facilmente acabar se transformando num ruído enorme na minha cabeça! Então gosto de fazer algum exercício, como nadar ou andar de bicicleta. Mas prefiro a piscina, porque limpa a mente e a vista, fica tudo azulzinho…

A melhor página em branco é…

Aquela que chega pra mim num momento de mente e coração tranquilos :¬)

larissa ribeiro

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