24 de agosto de 2015

Papeando com João Luiz Marques

Hoje é dia de papear com o criativo autor de Os meninos da biblioteca, João Luiz Marques. Nascido em solo paulistano, ele trabalha com o mundo das reportagens e dos livros, dividindo seu tempo entre escrever e lutar pela leitura.

Além disso, ele também conhece pessoalmente um dos personagens mais birutas que já vimos por aqui: o Heitor, que saiu de um blog para virar personagem de livro e militar pelo acesso ao livro e à leitura (igualzinho ao João).

Vamos papear?

Quem é o João Luiz Marques?
Pergunta difícil de responder, principalmente para mim que sempre estive do outro lado do balcão, pois sendo jornalista, trabalhando como assessor de imprensa de editoras de livros, sou eu quem entrevista os autores para divulgar os seus lançamentos. Acredito que o amor à palavra escrita e minha militância pelo acesso ao livro e à leitura, me levaram a pular esse balcão e escrever o meu primeiro livro. Não por coincidência, em Os meninos da biblioteca, o personagem Heitor também faz uma “passagem”. Na literatura infantojuvenil existem as categorias de leitores e há uma que se chama “leitor em processo”, acho que é isso que sou, um “escritor em processo”.

Joao Luiz Marques (by Julia Jozefine de Oliveira)

O melhor lugar para o surgimento de riscos e rabiscos é…?
Em frente ao computador ou com um bloco de anotações. Não importa o lugar, o importante é ter onde anotar. Sempre carrego uma caderneta para rabiscar as ideias que aparecem, serve para não esquecê-las e também para organizá-las. Anotadas, consigo separar as boas ideias, que merecem ser levadas adiante, daquelas absurdas, que devem ser esquecidas.

Como você conheceu o Heitor?
Conheci o Heitor na Biruta, ele tinha lido o livro Um bolo no céu, de Gianni Rodari, gostou tanto, que ligou aí, pra falar de seu encantamento e foi convidado a conhecer a editora. Eu era o assessor de imprensa da Biruta e o conheci nessa visita. Ele disse que gostava muito de ler e de contar histórias, perguntamos por que ele não construía um blog, ele disse que não sabia como fazer isso, nós o ajudamos e o resto é história, que está toda registrada lá no seu blog, o blog do Le-Heitor.

Para você, uma viagem inesquecível seria nas páginas de qual livro?
Qualquer livro bem escrito e que conta uma boa história.

Qual é seu companheiro favorito de aventuras (dentro ou fora do mundo literário)?
Sou obrigado a confessar, um pouco constrangido, que o meu companheiro favorito de aventuras tem sido o meu personagem Heitor. Não preciso esperar a publicação de um próximo livro para imaginar e colocar em prática alguma aventura com ele, o Heitor está sempre lá no blog, pronto pra qualquer coisa. Com a publicação do livro, dei uma parada nos posts, a transformação de um simples personagem de blog, em personagem de livro, mexeu com a cabeça do menino e provocou nele uma pequena crise. Mas já estou lhe reposicionando e em breve ele vai voltar, cheio de novidades, algumas até ultrapassam os muros do seu blog e do livro. Aguardem!

Escrever é…
Juntar palavras e encontrar o sentido. O desafio é escolher a palavra certa, a que faz sentido, principalmente, quando o que menos importa é o sentido. Já a palavra, sempre importa.

Qual é a parte mais legal desse processo (desde o surgimento da ideia até a publicação de uma matéria, um post ou um livro)?
Acho que a parte mais legal de todo o processo é a redação, principalmente nessa minha experiência em escrever o livro. É um desafio prazeroso, transformar a ideia de uma cena em palavra escrita e, ainda, conseguir manter e transmitir toda a emoção imaginada. Buscar a palavra certa, organizar as frases e os diálogos, e revisar, por diversas vezes, enxugando o texto, tirando os excessos e mudando a ordem das palavras, até chegar ao texto final. Há capítulos desse livro, em que fiz desenhos preliminares, imaginando que seria difícil ou quase impossível colocar toda a ideia no papel, escrevi e o texto saiu. O que me dá mais prazer é o exercício de escrever as narrativas imaginadas e perceber o quanto a nossa memória nos salva, ao mandar uma referência ou informação, na hora em que mais precisamos dela.

Se não fizesse reportagens ou inventasse mundos e personagens, o que você faria?
Queria ser engenheiro quando crescesse, até entrei na faculdade, que abandonei logo no primeiro ano para estudar jornalismo. Gostava de escrever e era um leitor acima da média, também fui estudar filosofia, sentia falta de “conteúdo” no curso de jornalismo. Formado, assumi a profissão na imprensa sindical, fruto da minha militância, depois trabalhei como jornalista em diversas áreas. Quando ainda estava em dúvida do que fazer, fiz teatro, até estudei pra ser ator… Acho que é isso, se não fizesse o que faço hoje, seria um ator de teatro.

Onde fica/o que você faz quando busca inspiração?
A inspiração vem, muitas vezes, quando estou caminhando. Por compromissos de trabalho, caminho muito pela avenida Paulista e pela região central de São Paulo. Não caminho para buscar a inspiração, nem lembro que caminhar também tem esse efeito, caminho para ir a algum lugar, e no caminho a inspiração me encontra, e sempre traz alguma alegria. Às vezes, também, é na caminhada, que uma ideia antiga fica mais clara, passo a olhar pra ela como algo realizável.

avenida-paulista-1582112

 

A melhor página em branco é…
Aquela que está à mão quando a ideia aparece.

Compartilhe ...

E deixe seu comentário!

Uma resposta para “Papeando com João Luiz Marques”

  1. […] comigo para todos os lugares!). Os últimos companheiro foram Os meninos da biblioteca de meu amigo João Luiz Marques e ‘A chegada’, de Shaun Tan (Editora SM), um livro só de […]

Deixe uma resposta

Desenvolvido por Miguel Medeiros