14 de maio de 2015

Papeando com Élia Barceló

Está pronto para conhecer uma autora internacional?

Élia Barceló, espanhola, formada em Filologia Hispânica e Anglo-germânica , é casada, mãe de dois filhos e autora de Cordeluna, uma novela incrível, que tem encantado os leitores birutas desde 2011. Atualmente, mora em Innsbruck, na Áustria, e divide seu tempo entre as funções de professora de literatura e escritora. Tem ganhado o público com seus romances  para jovens, romances policiais, ficções científicas e literatura fantástica para adultos. Parte de suas obras já foi traduzida para dezoito línguas e Cordeluna ganhou o Prêmio Edebé de Literatura Juvenil 2007 | Edebé – Espanha.

Se você ficou curioso para saber mais sobre essa autora, embarque conosco para as montanhas do Tirol e confira o Papeando abaixo:

 

Quem é Élia Barceló? (pergunta feita pelo Blog Biruta Gaivota)

Sou uma mulher entusiasta, que tudo o que faz na vida faz para aprender e desfrutar. Adoro contar histórias e por isso ponho nelas toda a minha energia e paixão, mas sou também uma pessoa muito família (minha família vem em primeiro lugar); gosto de cozinhar, convidar amigos para comer, cuidar das plantas, ler, ir ao cinema, dançar, cantar, fazer ioga, caminhar, aprender línguas… Sou apaixonada por viagens para qualquer lugar do mundo e desfruto intensamente da sensação de estar viva. Gosto de fazer leituras públicas dos meus livros e de me encontrar com leitores, responder suas perguntas e falar sobre as histórias com eles. Com isso tive sorte, porque se costuma fazer isso em países de língua alemã, e eu aproveito muito.

Como é sua rotina para escrever? Tem um lugar específico, costuma ter ideias a qualquer momento? (pergunta feita por Liziane Goulart, Blog O Maravilhoso Mundo da Leitura)

Procuro escrever todos os dias, até mesmo quando se trata de uns poucos parágrafos, já que toda novela é construída escrevendo-se um parágrafo atrás do outro. A disciplina é importante para um escritor, já que não tem chefe para mandar nem horários para cumprir.
Normalmente escrevo em minha mesa de trabalho, em meu estúdio, que é uma sala bastante ampla, com grandes janelas por onde se veem as altas montanhas do Tirol e as torres da antiga Innsbruck. É cheia de livros e papéis, com um sofá de canto, para ler e conversar com os amigos, e muitas plantas. Ali passo horas e horas, sentada em frente ao teclado, escrevendo.

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Mas tenho a sorte de ser uma dessas pessoas que conseguem escrever em qualquer lugar, sempre que esteja desenvolvendo uma novela. Não me incomoda nada escrever no trem, nos aeroportos, em um café, esperando um ônibus, na casa de outra pessoa, em um hotel… Há fragmentos das minhas novelas que, quando os releio, me fazem lembrar com muita clareza o lugar onde os escrevi. É uma sensação de que gosto muito. Lembro de várias páginas escritas no Rio de Janeiro, por exemplo. :)

E as ideias… sim, sou uma fábrica de ideias, uma taça de champagne sempre borbulhando. Mas a maior parte não chega a ser escrita porque não tenho tempo suficiente.

Quais os principais cuidados que um escritor deve ter ao escrever sobre épocas tão distintas, como em Cordeluna? Como se deu o processo de escrita de um livro com tantos elementos históricos? (pergunta feita por Ricardo Biazotto, Over Shock Blog)

Na minha opinião, uma das coisas mais importantes é ter-se informado profundamente antes de escrever. E quando digo “informar-se”, não me refiro a dar uma olhada na Wikipédia e se pôr a escrever uma novela medieval. Quando vou tratar de um período histórico diferente do meu, dedico entre alguns meses e dois anos para ler sobre essa época: como as pessoas pensavam, como se vestiam, o que comiam, o que era importante na época, o que não… Não somente qual era o rei e que fatos históricos ocorreram; a vida cotidiana, os sentimentos e o código de conduta são fundamentais. E, sem dúvida, a língua da época. Não a copio tal qual, mas faço de uma maneira que se perceba que falavam de outro modo, que formulavam as frases de maneira diferente. Me incomoda muito ler novelas ou ver séries de televisão que se passam no século XII e que um personagem diz “Okay” ou “Não tem problema”; ou que se tratem por “você”!
Por isso também leio muitas obras literárias da época que me interessa; é a melhor maneira de entrar realmente em outro tempo, em outra língua, outra mentalidade. E levo muito a sério a parte histórica nas minhas novelas.

Por sorte, quando comecei Cordeluna tinha uma bagagem de anos de estudo sobre a Alta Idade Média e de leitura de obras medievais, de modo que não me deu um grande trabalho, porque já me sentia à vontade nesse mundo. Além disso, tive a sorte de que os anos históricos que escolhi para situar a minha novela combinaram muitíssimo bem com as campanhas de El Cid e com a criação do Pórtico de la Gloria, em Santiago, e assim tive a sensação de que tudo coincidia sem grande esforço da minha parte. Quando isso acontece, sinto que estou em um bom caminho e que a novela vai sair boa.

A mistura de época medieval com a época contemporânea visava despertar o interesse do leitor mais jovem pela história? (pergunta feita por Cida, Blog Moonlight Book)

A Alta Idade Média é uma época que me interessa particularmente. Como sou professora de literatura na Universidade de Innsbruck, já dei vários cursos sobre o Poema de Mio Cid (a epopeia nacional espanhola) e, ao ver meus estudantes tão entusiasmados com a obra e a época, pensei que os jovens podiam gostar de uma história ambientada em um momento tão distante, mas me parecia importante combinar isso com um grupo de personagens atuais para marcar tanto as similaridades, o que sempre é igual (o amor, a amizade, o ciúme, a traição…), como as grandes diferenças de mentalidade e de modo de vida que existem entre aquela época e a nossa. E assim, se conseguir que alguns jovens se interessem pela Idade Média e leiam mais… ótimo!

Cordeluna tem personagens que fazem parte de um grupo de teatro. Você vê esta história sendo contada nos palcos, ou quem sabe nas telas de cinema? (pergunta feita por Cida, Blog Moonlight Book)

Acho que podia dar um bom filme, porque no cinema seria bem fácil combinar a história antiga e a atual, e também usar os mesmos atores para as duas épocas. No teatro me parece um pouco mais difícil, mas se alguém tentar, terá todo o meu apoio e entusiasmo. :)

Como surgiu a ideia de uma história com um amor que durou várias décadas, com almas gêmeas predestinadas a se encontrar? (pergunta feita por Gabi, Blog Fluffy)

Sei que a primeira vez que pensei nela estava em Innsbruck (Áustria), a cidade onde vivo, em frente a Hofkirche (a igreja da Corte). Ao ver um grupo de turistas muito jovens – deviam ser estudantes em excursão – pensei sobre um menino e uma menina que se olhavam, se gostavam, e tinham a sensação de que se conheciam desde sempre. E que era verdade: já tinham sido um casal mil anos antes, ali mesmo, em frente às pedras daquela igreja.

Innsbruck

Pensei que eu só precisava trabalhar naquela história que estava ali, diante de mim; mas que, já que ia ser uma história de dois tempos muito distantes, o melhor seria que se passasse na Espanha, para não confundir mais ainda o leitor espanhol apresentando um país diferente e nomes estrangeiros.
Outro elemento que lembro com muita clareza e que logo se incorporou à história foi a sorveira, uma árvore com bolotas vermelhas onde Sancho e Guiomar se conhecem. Certo dia eu estava passeando e, de repente, vi nitidamente Guiomar embaixo dessa árvore, vestida de verde-claro. Sancho a olhou, e os dois se apaixonaram à primeira vista.

Existe algum dos personagens (Sancho/Guiomar ou Sérgio/Glória) que você imaginou primeiro? (pergunta feita por Gabi, Blog Fluffy)

Sancho e Guiomar chegaram primeiro; talvez por isso sejam mais fortes, pelo menos na minha cabeça. Tem que ser muito forte para superar mil anos de maldição, de sofrimento, de perda da pessoa amada. Sergio e Glória, por serem jovens do nosso tempo, têm tudo mais fácil, ainda que não se deem conta disso.

Você acha que as almas gêmeas continuam a se reencontrar no decorrer dos anos, décadas e séculos, como aconteceu em Cordeluna(pergunta feita por Gabi, Blog Fluffy)

Não sei se acredito de verdade, mas me parece uma ideia muito bonita, e gostaria que fosse assim. Ao fim e ao cabo, acontece a todos nós encontrarmos alguém (não necessariamente nosso par amoroso) que nos dá a sensação de que o conhecemos de toda a vida e com quem nos sentimos à vontade desde o primeiro momento, como se tivéssemos reencontrado um bom amigo ou parente.

Se você fosse a uma livraria e só tivesse cinco minutos para ficar lá, a qual seção iria? Que livros compraria? (pergunta feita por Talitha, Blog House of Chick)

Suponho que faria o de sempre: primeiro a seção de literatura fantástica, ficção científica e terror. Depois olharia se há alguma coisa nova dos meus autores preferidos e, se fosse o caso, compraria. Veria também se há livros que chamam a minha atenção pelo título, pela capa ou sinopse e, ainda que fossem autores desconhecidos, compraria para descobrir novos autores.
Se tivesse mais tempo, olharia também livros policiais e históricos. A literatura realista não me interessa muito. Quanto aos livros teóricos, meu marido e meu filho costumam me emprestar.

élia

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3 respostas para “Papeando com Élia Barceló”

  1. Gabriela disse:

    Adorei a entrevista e as respostas da autora! Obrigada, editora, pela oportunidade de participar :)

  2. Nossa muito legal poder saber mais sobre a autora. a entrevista ficou muito legal :)

  3. […] Se você ficou curioso para saber mais sobre essa autora, embarque conosco para as montanhas do Tirol e confira o Papeando completo no Blog Biruta Gaivota! […]

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