12 de junho de 2017

Papeando com Cesar Cardoso

Essa semana vamos papear com o autor Cesar Cardoso!
O Cesar tem vários livros publicados pela Biruta e Gaivota: O gigante do Maracanã, O que é que não é?, Você não vai abrir?, Quem pegou uma ponta do meu chapéu de três pontas que agora só tem duas? e o lançamento Cadê a escola que estava aqui?

E aí, prontos?

Sem título

Quem é Cesar Cardoso?
Um cara que gosta de ler, de escrever, de cantar samba, de conversar com os amigos e as amigas, de contar e ouvir histórias engraçadas, de tomar cerveja num bar, de ir ao cinema e ao teatro, de ver exposições, de andar sem nenhum rumo. E um cara que costuma pensar: quem é Cesar Cardoso? Às vezes ele acha muitas respostas, às vezes ele acha muitas perguntas.

O melhor lugar para o surgimento de riscos e rabiscos é…?
Qualquer lugar. Por isso em qualquer lugar que eu vá, no bolso direito das bermudas que gosto de usar há sempre uma folha de papel dobrada e uma pequena caneta. E até na mesinha de cabeceira ao lado da cama, há uma caneta e um bloco, para alguma ideia sem sono que apareça no meio da madrugada.

O melhor amigo criado por você?
Cada um dos livros que escrevi e publiquei. Enquanto escrevo essa resposta, eles estão todos bem aqui do meu lado, na sexta prateleira da minha estante, eu olhando para eles e eles para mim. Dentro de cada um deles, as terras e os personagens que inventei. E que também me inventaram.

Uma viagem inesquecível seria nas páginas de qual livro?
Fiz muitas viagens inesquecíveis nas páginas de muitos e muitos livros, como História do Mundo para Crianças, Geografia de Dona Benta, Alice no País das Maravilhas, A Bolsa Amarela, a poesia de Drummond e de Manuel Bandeira… E trago dentro de mim minhas malas prontas para todo dia viajar nas páginas de algum livro.

Qual é seu companheiro favorito de aventuras?
Se forem aventuras vividas em livros ou filmes eu sou uma ótima companhia de viagem. Para as aventuras nesse mundo, tenho a mulher que eu amo, meus amigos e amigas, minhas enteadas e meus netos. Para viajar, tenho um companheiro de viagem muito chato, que sou eu mesmo. Tenho que ficar me convencendo de que sair numa viagem vai ser uma boa aventura. E não é fácil me convencer disso. Mas a maior aventura desse mundo é conviver com as pessoas e trocar experiências com elas.

Escrever um livro é…
Criar mundos onde eu sou o primeiro viajante e aguardo ansioso que outras pessoas venham viajar por eles e depois me contem o que viram. Manuel Bandeira escreveu esses versos que eu adoro, no poema Testamento: “Vi terras da minha terra. / Por outras terras andei. / Mas o que ficou marcado / No meu olhar fatigado, / Foram terras que inventei.”

Além de inventar mundos e personagens birutinhas, o que você faz?
Além dos livros, eu escrevo humor para a televisão. Já escrevi programas como Tv Pirata, Sai de Baixo, A Grande Família, Toma Lá Dá Cá, Os Caras de Pau e agora estou escrevendo o Zorra. Também faço fotografia, não como uma profissão mas como uma forma de arte.

Por que literatura para os pequeninos/jovens?
Quando eu tinha quatro anos, meu avô me contava histórias. E eu adorava. Depois fui para a escola e descobri uns objetos que estavam cheios de histórias como aquelas que meu avô me contava. Eram os livros. Nos livros eu fui descobrindo muitas coisas sobre o mundo e muitos mundos sobre as coisas. Lá pelos 18 anos eu quis inventar minhas próprias histórias e mundos. E uma das formas para contar histórias é conversando com aquele garoto que eu fui e que ficava maravilhado com os livros que lia. Foi assim que comecei a escrever para crianças e jovens. Hoje continuo conversando com esse garoto que sou eu. E também tenho a riqueza de conversar com muitos outros garotos e garotas que leram meus livros.

Onde fica/ o que faz quando busca inspiração?
Busco inspiração de muitas maneiras. Pode ser vendo um filme, lendo um jornal ou um livro, vendo uma cena na rua, conversando com alguém, ou simplesmente ficando parado em frente ao computador e tentando imaginar alguma coisa. Sempre anoto as ideias que tenho. E muitas vezes volto a alguma anotação para ter inspiração e continuar a desenvolver aquela ideia. Meus livros nascem assim. Muitas vezes levo anos até terminar um livro. E muitas vezes nem consigo terminar a ideia de um livro. Ela fica lá, parada, à espera de um final. Quem sabe se ele virá ou não?

A melhor página em branco é…
Há páginas em branco em todo lugar. O mundo é uma página em branco. O que vai acontecer comigo amanhã ou em qualquer tempo que ainda virá é uma pagina em branco. Até mesmo o que já aconteceu comigo pode ser uma página em branco que eu conte de várias maneiras diferentes. Ao acordar a cada dia, eu estou diante de muitas páginas em branco. E de noite, ao deitar para dormir, também.

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