13 de novembro de 2014

Papeando com Alessandra Roscoe

Ela é mineira, de Uberaba, mas cresceu e vive até hoje em Brasília. Por gostar muito de ler e contar histórias, decidiu ser jornalista. Mas, é tão apaixonada por artes que já estudou um pouco de teatro e, hoje, vive criando mundos e personagens, contando histórias e mediando leituras com projetos que incentivam desde a leitura para o ventre, com casais “grávidos”, até a busca da reconstrução da memória a partir da literatura com idosos pacientes de Alzheimer. Já publicou 25 livros, dentre eles o O Jacaré Bilé, pela Biruta,Caixinha de guardar o tempo, pela Gaivota. Desde 2007 comanda o blog Contos, cantos e encantos, dedicado à literatura e à arte voltadas para a infância.

Agora, vamos papear?

Quem é a Alessandra Roscoe?

Ainda estou tentando descobrir, mas certamente é alguém que ainda se deslumbra com uma árvore em flor no meio do caminho diário e que descobriu a possibilidade de reinventar o mundo nos livros, nas histórias!

O melhor lugar para o surgimento de riscos e rabiscos é?

Primeiro a imaginação, a minha é toda rabiscada! Depois, um caderninho que anda sempre comigo!

Quem é o melhor amigo criado por você?

Sabe que não criei melhores amigos pra mim; os meus de verdade são tão incríveis ( bichos e gentes!) que ainda não precisei inventar nenhum! Dizem que nós, escritores, inventamos aquilo que não temos ou damos novas formas às coisas que queremos diferentes, e se tem uma coisa que quero igualzinha em minha vida são meus amores e meus amigos!

Uma viagem inesquecível seria nas páginas de qual livro?

É sempre na poesia de Manoel de Barros (Exercícios de ser criança) e na irreverência de Sylvia Orthof (Os bichos que tive).

Qual é seu companheiro favorito de aventuras (dentro ou fora do mundo literário)?

Fora do mundo literário o meu grande amigo, namorado, marido, parceiro, companheiro de tantas histórias, Orlando Neto, pai dos meus três filhos e na literatura eu sou muito mutante, cada hora me apaixono por um livro, um autor… Agora estou na minha fase Valter Hugo Mãe, já li uns quatro dele seguidos e adorei especialmente o último: A desumanização. Na literatura infantil tenho muitos preferidos, adoro o Manual de desculpas esfarrapadas, do Leo Cunha, o 60 Contos diminutos, da Marília Pirillo, A fada que tinha ideias, da Fernanda Lopes de Almeida, A biografia não autorizada da Emília, escrita pela Socorro Acioli e, claro, todos do Monteiro Lobato!

Escrever um livro é…

Descobrir vozes que nem mesmo você imaginava ter! É se espantar e se surpreender com o poder que tem a fantasia misturada com a realidade pra virar outra coisa!

Qual é a parte mais legal desse processo (desde o surgimento da ideia até a publicação)?

Acho que tudo é bacana, lapidar as ideias, acompanhar o livro ser gerado, ganhar forma e depois ver se tudo aquilo fez algum sentido! Tenho visto olhinhos brilhando por onde passo, recebo cartas e e-mails de leitores que às vezes me mostram detalhes dos meus livros que nem eu tinha percebido. Acho que o escritor não é aquele que escreve, publica e vende, ele só acontece de verdade quando é lido! Adoro saber que minhas páginas já deixaram de ser minhas há muito tempo!

Se não fizesse reportagens ou inventasse mundos e personagens, o que você faria?

Acho que seria peixe ou sereia! Adoro água e já tenho muitas histórias engraçadas por conta desta minha paixão por rios, mares, piscinas e chuvas! Não posso ver um espelho d’água que já fico tentada! Um dia eu conto essa história!

Onde fica/o que você faz quando busca inspiração?

Eu não tenho método ou disciplina alguma. Já escrevi em fila de banco, tive que sair correndo do banho pra não perder o fio da meada ou desistir da noite de tentativa de sono pra escrever. As histórias é que mandam em mim, raramente consigo mandar nelas!

A melhor página em branco é…

A que está por vir!!!

 

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2 respostas para “Papeando com Alessandra Roscoe”

  1. BIA disse:

    As histórias é que mandam em mim, raramente consigo mandar nelas!
    Amei essa frase.

    Continue assim, você está no caminho certo. Parabéns!

    Que outras vozes, perpetuem seus dias, como um ritual. Mesmo, que surjam sobre um espelho d’água.

    Deslumbre. Não exclua qualquer expectativa.

    Abuse deste exercício sublime e avassalador que é a literatura infantil e juvenil.

    Talvez, o nosso amado mestre Manoel nos diria: – O ato de criar é algo absurdo, ingênuo, porém, gigantesco. Um abração Bia Braz.

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