16 de março de 2015

Deborah descobre veredas

Hoje vamos papear com a paulista Deborah, autora do livro Antônio descobre veredas, e descobrir um pouco mais sobre sua história, os prêmios que ganhou e suas inspirações como autora.

Formada em Antropologia pela London School of Economics, estreou na literatura com o livro Ressurgência Icamiaba e O Fervo da Terra, em 2009. Com o romance Valentia ganhou o prêmio 2011 do Governo do Estado de São Paulo, foi finalista do Prêmio Machado de Assis 2012, da Biblioteca Nacional, e finalista do Prêmio Jabuti 2013.

Vamos papear?

Quem é a Deborah Kietzmann Goldemberg?
É uma mulher, uma mãe, uma escritora, alguém que busca entender o mundo e se fazer entender nele. Na impossibilidade de ser sem o outro, nos definimos no diálogo entre nós, na relação com o outro, escrevendo uns para os outros.

O melhor lugar para o surgimento de riscos e rabiscos é…?
Qualquer lugar me inspira. Aliás, é comum que em lugares pouco atrativos ou entediantes a minha mente dispare. Por exemplo, no metrô ou na fila do correio. Vejo uma pessoa de relance e começo a imaginar como é a vida dela… Seus sonhos? Seus problemas? Assim, vão nascendo os personagens e as histórias. Na hora de escrever (ou rabiscar), prefiro meu estúdio – um oásis de tranquilidade.

Quem é o melhor amigo criado por você?
Samaúma, o protagonista do meu romance Valentia (Ed. Grua, 2012). Eu adoro estar com ele. Às vezes, quando tenho um dia ruim ou estou muito desanimada eu releio um pouco do livro antes de dormir só para sentir a vibração dele!

Uma viagem inesquecível seria nas páginas de qual livro?
O Grande Sertão Veredas, de Guimarães Rosa – que inspirou meu primeiro livro juvenil, Antônio Descobre Veredas. Eu adoro o sertão. Trabalhei muitos anos no interior do Nordeste e amava tudo lá… as pessoas, as cores, as histórias, os sons, os objetos e o céu estrelado.

Qual é seu companheiro favorito de aventuras (dentro ou fora do mundo literário)?
Minha filha Pauline (foto abaixo), que é entusiasmada pela vida como eu. Observadora (mais do que eu!), ela adora conhecer coisas novas. Aventuras com crianças são inusitadas, porque você vai para lugares onde não iria e faz coisas que não faria nunca! É outro ritmo e outra lógica. Assim, o mundo se amplia de forma inimaginável.

foto para biruta

Escrever um livro é…
Uma grande realização. Na verdade, o escritor é pré-livro. Escrevemos sempre, compulsivamente, para publicação ou não. Eu escrevo diários, e-mails, cartas, listas de supermercado, sempre. O livro é uma elaboração dessa prosa. Exige muito trabalho e dedicação, mas reúne a nata da expressão escrita que nos vem naturalmente. Também, nos força a elaborar ideias. Depois, dá orgulho de ter conseguido chegar lá e, a partir da publicação, vem a alegria de compartilhar com os leitores e ouvir suas reações.

Qual é a parte mais legal desse processo (desde o surgimento da ideia até a publicação)?
O processo de escrita em si. Mais precisamente, os momentos em que você sente que está funcionando, que a história está se encaixando, que um personagem está se delineando de forma interessante, ou, quando conseguimos uma cena incrível e boas frases. É muito bonito, apesar de solitário. Nesses momentos, tudo faz sentido. Saímos pelas ruas cantarolando. É realmente epifânico!

Além de inventar mundos e personagens, o que você faz?
Eu sou antropóloga e estudo as culturas humanas. Tem um pouco a ver com literatura, porque brota do fascínio pelo outro, pelas diferenças culturais que existem no mundo. Sou uma pessoa de pessoas. Em tudo o que faço está esse interesse pelo ser humano, seus sentimentos e as formas como eles convivem em sociedade.

Onde fica/o que você faz quando busca inspiração?
Eu não busco inspiração ativamente. Ela vem naturalmente, no cotidiano, em qualquer local ou situação. Só que nem só de inspiração vive a criação. Para me preparar artisticamente para recepcionar e elaborar essas ideias, eu busco me alimentar das artes. Além de ler bastante literatura (em casa, porque gosto de silêncio absoluto para ler), gosto muito de cinema e de artes plásticas. Então, vou bastante à museus e cinemas.

A melhor página em branco é a…
Do meu diário. Tenho diários desde os 12 anos e toda vez que encontro um tempinho para escrever nele é muito gostoso. Ali, não tem exigência e nem censura. Deixou fluir meus sentimentos livremente. Adoro cadernos artesanais, de papel fofo e sempre sem pauta!

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