19 de julho de 2016

Um pouquinho sobre a Idade Média

A Idade Média é um período da história do mundo que suscita muita curiosidade, não é mesmo?

Existem muitos filmes, séries e livros que abordam o período. Aqui na Editora Biruta nós temos o livro Cordeluna, um romance que se passa na Espanha e alterna trechos entre os dias atuais e acontecimentos  que se passaram há mil anos.

O posfácio do livro traz algumas informações valiosas sobre essa época e resolvemos dividi-las aqui no blog! Vamos mergulhar nesse período?

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Sancho e Guiomar viveram em uma época da História conhecida por Idade Média – um período de quase mil anos. Os historiadores utilizam alguns eventos importantes para demarcar seu início e fim, assim como as suas diferentes fases. Dessa forma, a queda do Império Romano (ano 476) marca seu início, e a queda de Constantinopla (ano 1453), o seu fim. As distintas características econômicas, políticas, sociais e culturais desses mil anos levaram ainda os historiadores a subdividi-los em dois ou três períodos. Assim, a classificação mais conhecida é a que define a Alta Idade Média (do final do século v e final do século x) e a Baixa Idade Média (do século xi ao final do xv). Entretanto, alguns historiadores trabalham com outra classificação do período da Baixa Idade Média: Idade Média Plena ou Clássica (do século xi ao xiii) e Baixa Idade Média ou Idade Média Tardia (século xiv ao xv).

Parte da narrativa de Cordeluna acontece na fase conhecida como Baixa Idade Média ou Idade Média Plena. Apesar de podermos reconhecer muitas características comuns, nesta fase, na região que chamamos atualmente de Europa Central, cada reino ou região apresentava situações bem distintas e marcantes. Esse é o caso do local onde ocorre a nossa história – a Espanha. Por volta do ano 1000, o sul da Espanha estava inteiramente dominado pelos muçulmanos, que haviam chegado à Península Ibérica no século viii. O centro e o norte da Espanha estavam divididos entre vários reinos cristãos, mas os muçulmanos também ocupavam importantes províncias.

Assim, enquanto o Império Islâmico se consolidava no sul, as províncias do centro e do norte da Espanha eram palco de guerras constantes entre cristãos e muçulmanos. A reação dos cristãos ao domínio mouro (como eram conhecidos os muçulmanos do norte da  África e os nascidos na Península Ibérica) ficou mais forte a partir do ano de 1037, quando o rei Fernando i reconquistou importantes cidades ocupadas pelos muçulmanos e anexou o reino de Leão ao de Castela, transformando Burgos em sua capital. A partir daí, os cristãos começaram a avançar rumo ao sul. Este período, marcado por lutas que se intensificaram entre os séculos xi e xiii – quando cidades importantes como Toledo, Madri, Córdoba e Sevilha foram dominadas pelos cristãos – e que se estendeu até o século xv, é conhecido como Reconquista Espanhola. Somente no final do século xv, com a conquista da cidade de Granada, os mouros foram definitivamente expulsos da Espanha.

O início da Reconquista Espanhola foi marcado pelos avanços e recuos de cristãos e muçulmanos, mas também por ferozes disputas internas destes dois grupos. É neste contexto que o nobre guerreiro Rodrigo Diaz começa a ser conhecido e recebe o apelido de El Cid, do árabe Sidi, que significa “senhor”. Nascido em Vivar (1043), em uma aldeia pequena próxima à cidade de Burgos, filho de nobres da corte do rei Fernando i, passou a servi-lo após a morte de seu pai. Depois da morte de Fernando i, o reino foi dividido entre seus filhos. Castela ficou com Sancho, Leão com Alfonso, e outras províncias com os demais irmãos. Sancho não concordava com a divisão e lutou pela reunificação do reino. Tomou Leão de Alfonso, mas faleceu no cerco ao castelo da irmã Urraca, quando tentava tomar a região de Zamora. El Cid, que lutara ao lado de Sancho, passou a servir Alfonso, que em função da ausência de herdeiros do irmão tornara-se o rei Alfonso vi de Castela e Leão. Após lutar contra reinos cristãos por ordem do rei, El Cid foi exilado por este em 1081.

cordleuna

 

É a partir deste momento da História que diferentes versões sobre o comportamento de Rodrigo são elaboradas. A primeira e mais conhecida é a do cavaleiro piedoso e cortês, nobre guerreiro que, desterrado pelo rei em função de disputas de poder, reuniu seus vassalos para lutar contra os mouros. Esta versão foi reforçada no século xii, no auge da luta contra os muçulmanos, quando Rodrigo foi transformado em herói cristão. A partir daí, ao longo de toda a História até os dias atuais, por meio da literatura, da poesia e dos textos teatrais, tornou-se uma lenda.

A segunda versão tem origem em estudos, principalmente de historiadores, que tendo como base documentos antigos, caracterizam-no como um aventureiro, um comandante grosseiro, mais muçulmano do que cristão. Esta versão tem apoio em fatos históricos. Após ser exilado pelo rei Alfonso, Rodrigo ofereceu seus serviços ao soberano muçulmano de Zaragoza e passou a combater os cristãos, a serviço dos mouros.

Entretanto, a versão de El Cid como herói cristão também possui base histórica, uma vez que Rodrigo se reconciliou com o rei Alfonso vi e voltou a servi- -lo, combatendo muçulmanos e realizando importantes conquistas para os cristãos. Casou suas filhas com infantes da nobreza castelhana e conquistou Valência em 1094, instaurando o primeiro domínio cristão em terras islâmicas.

Bibliografia
_Reston Jr., James. Os Cães do Senhor. Rio de Janeiro: Record, 2008.
_Le Goff, Jacques. Heróis e Maravilhas da Idade Média. Petrópolis: Vozes, 2009.
_Le Goff, Jacques; schmitt, Jean-Claude. Dicionário Temático do Ocidente Medieval. São Paulo: Imprensa Oficial sp e Edusc, 2002.

 

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